O coronavírus mostrando as fragilidades humana, política e econômica

“Para quem não sentiu de perto a perda de um ente querido por coronavírus, é fácil achar que a Covid-19 é uma simples gripe”

O Covid-19 segue no controle do mundo. Continua a ditar as regras na nossa vida, em todas as áreas. No Brasil, estamos há pouco mais de um mês sofrendo as consequências do isolamento social e da quarentena, mas parece que ainda tem muita gente que não entendeu a gravidade da doença.

Pela demora no resultado de exames e a falta de testes para a maioria, não temos ainda o número real de casos no País. É possível acreditar que seja muito maior do que os índices divulgados, assim como o número de mortes, já que a velocidade dos óbitos é maior do que a capacidade dos laboratórios em divulgar os resultados dos exames.

Para quem não sentiu de perto a perda de um ente querido por coronavírus, é fácil achar que a covid-19 é uma simples gripe que mata mais os idosos e os que têm comorbidades. Já está claro que qualquer pessoa, independentemente da idade, pode contrair o coronavírus e, na pior das hipóteses, morrer. Como disse em artigo anterior, estamos diante de um inimigo invisível, não existem certezas, a não ser que ele pode ser eliminado com água e sabão antes de chegar ao organismo, e que ficar em casa é uma arma poderosa para se evitar a doença, mas isto parece não ser suficiente para convencer uma parcela da população.

Para completar, neste momento que precisamos de consciência, equilíbrio e união, vemos autoridades minimizando a gravidade da situação, indo contra as orientações da OMS, provocando pequenas aglomerações, sem máscaras, levando mãos à boca e ao nariz e tocando outras pessoas, sem qualquer proteção.

Precisamos encarar o momento com seriedade
Como político em início de carreira, mas médico por formação, tenho ficado indignado. Escolhi uma profissão para salvar vidas e vejo que certos políticos acham a vida humana menos importante do que a economia. Fiquei mais chocado ainda quando ouvi do próprio presidente, ao justificar sua posição dizendo que “um dia todo mundo vai morrer”. Presidente Bolsonaro, um dia todos nós vamos morrer sim, mas neste momento o pior não é a morte, mas como ela acontece. O coronavírus tem separado pessoas, provocado sentimentos e dores que marcarão vidas para sempre. Isolamento social é um esforço pequeno, se comparado a uma morte solitária e ao número de pessoas que serão infectadas de uma só vez, e acabarão padecendo por falta de tratamento médico digno. E, só para lembrar, podemos recuperar a economia do País, mas uma vida humana, não.

O pior, neste momento que deveria ser de união e foco para enfrentarmos a pandemia, é lidar com vaidades e projetos políticos pessoais. Historicamente, o Brasil vem se fragilizando por opções
erradas de governantes, que, em detrimento de investimentos em saneamento básico, educação e saúde, optaram por obras visíveis para o eleitor, que dão voto, mas não garantem qualidade de vida, e ajudaram a criar uma população vulnerável em todos os sentidos.

Este é um ano eleitoral, teremos eleições municipais. Como elas acontecerão, ainda não sabemos, mas tudo indica que será mantido o calendário eleitoral. Certamente, será uma eleição atípica e os
eleitores terão pouco tempo para conhecer os candidatos, mas torço para que escolham seus representantes com responsabilidade.

Democracia no centro das atenções
Acredito que dificilmente qualquer um de nós sairá do mesmo jeito desta pandemia, me pergunto: como sairemos? Seremos pessoas melhores? Seremos menos individualistas? Conseguiremos,
neste período, pensar de verdade em tudo? Seremos mais responsáveis? Quantos entenderão que o motivo do isolamento é o número insuficiente de hospitais, equipamentos e profissionais para
socorrer os infectados? Vamos dar à ciência a importância que merece? Saberemos exigir investimentos em pesquisa? Seremos capazes de entender que o desenvolvimento de um país depende
das ações de seus governantes, e que a escolha desses governantes é de responsabilidade da maioria? Espero, sinceramente, que todos saiam melhores desta pandemia, em todos os sentidos.

E, no momento mais difícil de nossa existência, a saúde se torna protagonista de políticas equivocadas pelo mundo; provavelmente, a partir de agora, receba a atenção que merece. No Brasil, em um momento político delicado, com desemprego em alta, uma população fragilizada e com medo, ainda precisamos lidar com ameaças à democracia. Nós, brasileiros de verdade,
que amamos a liberdade, que gostamos de lotar as ruas cantando, dançando, brincando, representando, fazendo piadas, livres para fazer e dizer o que quisermos, para ir e vir, não podemos
esquecer que o que nos garante essa liberdade é a democracia. Nas comparações com a Gripe Espanhola (1918-1920), deixo um poema usado como prevenção na época. O incrível é que, passados 102 anos, parece feito sob medida para a Covid-19.

SIGA O PAINEL CORONAVÍRUS. NO SITE CRIADO PELO GOVERNO FEDERAL, É POSSÍVEL ACOMPANHAR AS INFORMAÇÕES ATUALIZADAS SOBRE A PANDEMIA NO BRASIL.  https://coronavirus.saude.gov.br/

Este poema foi declamado nas redes sociais pelo ator Miguel Falabella
Perdigotos – Que perigo!
Se estás resfriado, amigo,
Não chegues perto de mim.
Sou fraco, digo o que penso.
Quando tossir, use o lenço
E, também se der atchim.
Corrimãos, trincos, dinheiro
São, de germes, um viveiro
E o da gripe, mais frequente.
Não pegá-los, impossível.
Mas há remédio infalível,
Lave as mãos constantemente.
Se da gripe quer livrar-se
Arranje um jeito e disfarce,
Evite o aperto de mão.
Mas se, vexado, consente,
Lave as mãos frequentemente.
Com bastante água e sabão.
Da gripe já está curado?
Bem, mas não queira, apressado,
Voltar à vida normal.
Consolide bem a cura,
Se não você, criatura,
Recai e propaga o mal

 

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