Ejetados para o mundo externo

Conhecemos átomos que nunca veremos e planetas que nunca pisaremos, mas não conhecemos minimamente o planeta no qual todos os dias andamos, respiramos, existimos e nos acidentamos: o planeta psíquico. Isso não reflete um paradoxo inaceitável? Que tipo de educação é essa e que tipo de Eu queremos formar? Se quisermos obter um Eu lúcido, dosado, coerente, generoso, ousado, precisamos questionar para onde caminha a educação.

O ranking dos países que possuem a melhor educação clássica tem estreita relação com o ranking da eficiência profissional, mas não tem grande relação com a maturidade do Eu e com o desenvolvimento das suas funções vitais.

Não temos ideia de que, no aparelho mental, um pensamento, por mais tolo que seja, é construído com maior engenhosidade do que um edifício com milhões de tijolos e que demora anos para ser acabado. Engenheiros sabem quais tijolos usar para uma construção física, mas o Eu, como engenheiro da psique, não sabe sequer como entrar no córtex cerebral e utilizar os materiais disponíveis para a construção de cadeias de pensamentos.

Um Eu imaturo não perceberá que cor de pele, religião, sexo, cultura e raça jamais servirão de parâmetros para discriminar dois seres humanos com a mesma complexidade psíquica. Um Eu maduro deveria ficar no mínimo embasbacado com o processo de construção de pensamentos, mas produzimos pensamentos como se tal tarefa fosse uma banalidade.

Einstein criou uma das teorias mais complexas da ciência, mas, se vivêssemos em seu tempo e tivéssemos a oportunidade de lhe perguntar como os fenômenos nos bastidores da sua mente conseguiram costurar as informações para produzir as imagens mentais que deram luz aos pressupostos de sua teoria, ele provavelmente não saberia responder. Usamos o pensamento para pensar o mundo, mas, se o utilizarmos para pensar como pensamos, entenderemos que todos somos meninos diante de tão insofismável complexidade. Entre um paciente portador de uma psicose e Einstein, há diferenças na rapidez, coerência, síntese e originalidade do raciocínio. Mas as diferenças estão na superfície. Nas profundezas, somos iguais.

Como autor de uma teoria sobre essa área, assombro-me diante de tal complexidade e da relutância que temos em conhecer nossa essência. O sistema acadêmico nos prepara para exercer uma profissão e para conhecer e dirigir empresas, cidades ou estados, mas não a nós mesmos. Essa lacuna gerou déficits gritantes na formação do Eu, que, por sua vez, se tornou um dos importantes fatores que fomentaram as falhas históricas do Homo sapiens. Há pessoas que tiveram pais fascinantes, uma infância maravilhosa e privada de traumas, mas tornaram-se tímidas, pessimistas, mal-humoradas e ansiosas.

DICA DO MÊS
O artigo acima faz parte do primeiro capítulo desse livro, que fala sobre a rotina estressante dos dias atuais, que nos força a deixar de lado o nosso próprio Eu, uma falta de atenção cujos únicos prejudicados somos nós mesmos. Augusto Cury, a partir de sua teoria da Inteligência Multifocal, instiga o leitor ao autoconhecimento, essencial para o desenvolvimento de uma mente saudável.

Título: A fascinante construçao do Eu
Autor: Augusto Cury
Editora: Planeta Livros
Preço: R$ 35,90

*Preços pesquisados em novembro de 2019

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