Azul profundo

“Apesar dos meus mestrado e doutorado, e dos 40 anos de consultoria e gestão em 26 países, só sei que o futuro próximo será muito diferente”

F

iquei horas diante da tela em branco do meu notebook, tentando planejar a retomada dos meus negócios pós-pandemia do coronavírus, quando me veio uma estranha sensação de déjà-vu.

Não é a primeira vez que enfrento uma severa crise econômica global. E também já experimentei o frio na barriga de encarar mercados que, até então, eram totalmente desconhecidos.

Mas o que sentia agora era muito mais forte, e, sem saber por que, essa sensação me levou a reviver um maravilhoso pôr do sol em agosto de 2004, no terraço do InterContinental Presidente, na paradisíaca ilha mexicana Cozumel. Tinha então decidido terminar as férias com o mergulho mais radical que alguma vez fiz, nas águas profundas de Punta Sur, no sul da ilha.

Grandes aprendizados
O mergulho é uma filosofia de vida. Exige disciplina, obriga a planejar, basear as decisões em dados objetivos (profundímetro e manômetro), exercitar o equilíbrio (flutuabilidade), ter noção dos limites (limite de profundidade e disponibilidade de ar), prevenir os imprevistos (octopus e cilindro de reserva); e dá a real importância das parcerias, porque jamais se deve mergulhar sozinho por razões de segurança.

Mesmo tendo certificação avançada em mergulho, e ter tido uma longa conversa com o meu buddy (companheiro de mergulho), a prancheta com o planejamento do
mergulho do dia seguinte continuava em branco. Tantas eram as variáveis que eu não controlava ou desconhecia.

Chegou a hora de desenharmos nosso futuro
A semelhança ao que sinto agora sobre o que será a sociedade e os mercados pós-pandemia é muito grande. Apesar dos meus mestrado e doutorado, e dos 40 anos de consultoria e gestão em 26 países, só sei que o futuro próximo será muito diferente, e que ninguém, em sã consciência, sabe exatamente o que fazer. Por isso, temos desenhar rapidamente, e de forma colaborativa, esse futuro, com a coragem de sermos realmente disruptivos e nos prepararmos para vários cenários alternativos, do mais otimista ao mais pessimista.

Ao chegar na manhã seguinte a Punta Sur, o azul escuro das águas profundas aumentava o mistério e a ansiedade de um mergulho, literalmente, rumo ao desconhecido. A primeira sensação foi de medo. Parecia que estávamos no vazio, sem referências. Pouco depois de iniciarmos a descida vimos dois tubarões rondando o casco do nosso barco, o que nos impedia de voltar rapidamente.

Nunca vá além de suas habilidades
Quando tudo indicava que estávamos entrando em um grande pesadelo, vimos uma impressionante parede de corais, repleta de grutas e túneis que começamos a explorar. As correntes e a beleza inebriante das esponjas vermelhas, tartarugas, e raias levou-nos, sem nos darmos conta, para uma profundidade de quase 40 metros, onde só enxergamos com lanterna e corremos o risco da
narcose do nitrogênio (embriaguez das profundidades).

E foi isso que aconteceu! Já tinha perdido a noção dos riscos que estava correndo, quando o meu buddy me salvou a vida, chamando de volta à superfície. A pós-pandemia é, com certeza, um mergulho no desconhecido. Mas, se tivermos a disciplina do mergulhador, e se fizermos essa imersão acompanhados por buddys (sejam eles consultores, sócios ou parceiros), podemos  transformar o medo do vazio inicial em uma experiência extraordinária que só o desafio do azul profundo pode oferecer.

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